PAI ACUSA MÃE DE DEIXAR FILHO OBESO

Justiça de Pernambuco passou a guarda da criança para o pai, mas decisão foi anulada.
Criança tem 8 anos e pesa 68 quilos; mãe nega falta de cuidados.

A guarda de um de 8 anos menino está sendo disputada na Justiça brasileira por um motivo inusitado: o peso dele. O garoto tem 68 quilos e é considerado obeso pelos índices da Organização Mundial de Saúde. Seu pai diz que a mãe não tem os cuidados necessários com a alimentação da criança.
Um caso semelhante chamou a atenção de todo o mundo há duas semanas. O serviço social da Inglaterra ameaçou retirar a guarda de Connor McCreaddie, de 8 anos, de sua mãe, porque ela não consegue controlar a dieta do filho. O menino inglês pesa quase 90 quilos. Apesar da polêmica, Connor continua com a mãe.
No caso brasileiro, é o pai quem quer a guarda do filho. Ele alega que a ex-mulher não cuida bem do menino. Ela nega. "Sempre fui uma boa mãe. As pessoas que me conhecem sabem que sempre me dediquei muito a ele e aos tratamentos dele. Nunca, de forma alguma, ia fazer alguma coisa para prejudicar", diz Jucelen dos Santos.
O pai da criança, João Dias, afirma que já ajudou seu filho a emagrecer. "Em um mês, nas férias, a gente fez com que a criança saísse de 49 quilos para 45,8 quilos. Dois anos depois, ele estava com 60 quilos. Foram 15 quilos em dois anos.”
O pai entrou com o pedido de guarda da criança na Justiça de Pernambuco, onde mora. A mãe acabou perdendo o processo há um ano e meio. No mês passado, a decisão foi anulada: o Superior Tribunal de Justiça entendeu que o caso deveria ter sido julgado pelo Tribunal de São Paulo pois a mãe, que criava a criança antes da briga, vive em Lins, no interior do estado.

Proteção

Maria Aglaé, juíza de família do Rio de Janeiro, explica que a perda da guarda é uma medida extrema. Cada caso é um caso, mas há uma regra geral. "A criança tem que estar protegida. A obrigação do guardião, do pai, da mãe, do responsável, é dar proteção àquele ser em formação", afirma.
Ela já julgou casos curiosos, como o de duas crianças que tinham alergia à carne de porco e ainda assim a mãe insistia em oferecer o alimento. "A guarda passou para o pai. Ela se conscientizou que tinha que parar de oferecer aquele tipo de alimento aos filhos e aí passou a ser novamente guardiã dos meninos", lembra Maria Aglaé.
Outro caso chamou a atenção. "Uma mãe tocava em uma banda de rock à noite, em barzinhos, e ensaiava em casa durante o dia. O filho estava ficando com problemas auditivos por conta do excesso de barulho. Ela poderia até perder a guarda. No caso, houve um acordo e a guarda passou para o pai", comenta a juíza. "Às vezes, os pais não têm nem consciência do mal que estão fazendo aos filhos."

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Fonte: G1 - Link da matéria: http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUI10566-5598,00.html