Escolas reduzem custos em até 40% com terceirizações

As escolas privadas estão apostando cada vez mais na terceirização de seus serviços periféricos - segurança, limpeza e alimentação - para economizar até 40% de seus custos e ganhar na qualidade. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) , o setor movimentou o equivalente a 1,5% do PIB nacional em 2004, somando R$ 27 bilhões.

Um dos colégios que investem nessa alternativa é a Escola Lourenço Castanho , localizada na zona sul da cidade de São Paulo. O primeiro serviço a ser terceirizado pela instituição foi a segurança, há dez anos. "O motivo inicial foi o aumento da violência na capital paulistana, mas com a mudança, descobrimos que além de economizar, a principal colaboração das terceirizações é o fato de tirar do dia-a-dia as preocupações que não são o core business da empresa", explica Sylvia Figueiredo Gouvêa, sócia e membro do conselho executivo da escola. Além da segurança, o colégio terceirizou também os serviços de limpeza e alimentação. No caso da limpeza, os custos caíram em 40%.

O Colégio Magno , também na zona sul paulistana, é outro que diminuiu seus custos com as terceirizações. Segundo Myriam Tricate, diretora-geral da instituição, a economia gerada chegou a cerca de 30% no caso da segurança. Outra parceria que rendeu bons resultados foi com a cantina. "Antes, esses espaços eram uma despesa para a escola. Agora, cerca de 10% do faturamento total do Magno é proveniente das cantinas", explica a diretora.

O Pueri Domus, com seis unidades distribuídas em várias cidades do interior de São Paulo e cerca de 3.500 alunos, também teve redução de cerca de 10% nos custos com as terceirizações de serviços de limpeza, xerox, impressão e segurança de rua.

Segundo Roberta Zocchio, diretora administrativa financeira da escola, essa prática começou há cinco anos. "A economia direta não é tão grande, a maior economia é conceitual. Antes tínhamos de arcar com imprevistos, como a ausência de um funcionário; e isso atingia diretamente o serviço. Hoje, isso não acontece, quando um funcionário não pode vir, a parceira repõe imediatamente", explica.

Para a executiva, a terceirização é uma tendência não só nas escolas mas também nas empresas. "A diferença é que o nosso negócio é formar pessoas. Por isso, temos que tomar mais cuidado com essas operações", explica a diretora.

O Colégio São Luis , na região da Avenida Paulista, também tem essa preocupação. Segundo Jairo Nogueira Cardoso, diretor administrativo e financeiro da escola, "o que estiver ligado diretamente com os alunos não é terceirizado. O colégio fez parceria com outras empresas para os serviços de manutenção, copiadora, impressão, ar condicionado, telefonia e alimentação. "Não terceirizamos a segurança porque eles têm que ter um relacionamento com o aluno", explica Nogueira. O colégio não tem um estudo exato da economia gerada com as parcerias, no entanto, o número de funcionários caiu cerca de 33% desde 2001.

O São Luis tem ainda outra modalidade de terceirização. O colégio faz parcerias com empresas que oferecem conteúdo extracurricular aos alunos. "Temos mais de 70% dos alunos freqüentando esses cursos fora do período de aulas. Oferecemos balé, judô, inglês, além do ensino da grade curricular. Assim, o aluno passa o dia na escola e é uma preocupação a menos para os pais."

A escola carioca Mopi também oferece esses serviços, extracurriculares. Com a estratégia, o colégio triplicou o ritmo de crescimento. Nos últimos cinco anos, o número de matrículas aumentou 15% ao ano. Nos anos anteriores, a taxa de adesão crescia de 5% a 10% a cada 12 meses.

Entre os serviços terceirizados estão aulas de inglês e espanhol, ministradas por professores da Cultura Inglesa e do CCAA , e aulas de natação, feitas no centro esportivo Estilo. Foram terceirizadas ainda as aulas práticas de ciências e de Internet, cujos professores ficam 24 horas à disposição dos alunos. "Preferimos focar os negócios no currículo básico e procurar pessoas com expertise em outras áreas", diz o diretor administrativo da Mopi, Vinícius Canedo.

A direção da escola resolveu abrir mais uma unidade e implantar o mesmo sistema. Serão investidos R$ 2 milhões na filial, com capacidade para 800 alunos. Hoje, são duas unidades na Tijuca, zona norte, somando 600 alunos.

________________________________________________________________________________________________________________________
Fonte: DCI, 08/08/05