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Reino
Unido cria ministério para combater a obesidade |
O governo britânico
nomeou nesta quarta-feira Caroline Flint "fitness minister"
(algo como ministra "para a forma física"),
em uma iniciativa inédita na luta contra a obesidade.
Flint, que ocupa também o cargo de ministra da Saúde
Pública, terá como prioridade fazer com que
os britânicos comam melhor e pratiquem mais atividades
físicas, diante do alarmante aumento nos níveis
de obesidade do país.
A ministra ficará encarregada dos programas de atividades
físicas diárias para a população
e espera que, com suas medidas, os britânicos se tornem
pessoas mais saudáveis para os Jogos Olímpicos
de 2012, que ocorrerão em Londres.
Segundo um adiantamento de dados oficiais, cerca de um terço
dos homens britânicos serão obesos em 2010.
De acordo com o relatório do Ministério da
Saúde que será publicado nesta semana, desde
2003 a obesidade aumentou 38% entre a população
adulta.
Para 2010, estima-se que 22% das meninas e 19% dos meninos
[com idades entre dois e 15 anos] serão "cronicamente
obesos". De acordo com o relatório, as jovens
com menos de 11 anos pertencem ao grupo de maior risco quanto
ao excesso de peso.
"Fui nomeada à frente de um cargo que tem como
objetivo estudar, ao lado de outros ministérios,
quais políticas podemos implementar para melhorar
a qualidade da saúde da população",
disse Flint à rádio 4 da BBC.
"Acredito que o importante é que a população
reconheça que mudanças pequenas na vida cotidiana
podem melhorar muito a atividade física e a saúde",
destacou. Para a ministra, não é necessário
"ir à academia cinco vezes por semana, mas qualquer
atividade física possível para cada pessoa".
Em julho deste ano, o governo lançou
a iniciativa "Small Change Big Difference" ("Pequenas
Mudanças, Grandes Diferenças") para mudar
os hábitos alimentares e de atividade física
da população.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, somou-se
à campanha, pedindo à população
para "assumir a responsabilidade" para melhorar
sua qualidade de vida. O chefe de governo pediu aos britânicos
que caminhem mais, subam escadas em vez de utilizar elevadores
e que comam diariamente mais frutas e verduras.No entanto,
a parlamentar conservadora Ann Widdecombe acusou o governo
de "intromissão" e criticou as políticas
de um Estado que chamou de "babá". "Acredito
que o governo tem um papel neste tema, mas que não
deve ser decisivo. Acredito que o problema da obesidade
não será resolvido com o ditado do governo",
disse a deputada conservadora.
Já o médico Ian Campbell, diretor da organização
Weight Concern, afirmou ser "crucial" que a população
britânica "comece a lutar contra a obesidade".
"Na década de 1980, apenas 6% dos adultos eram
obesos. Em 2010, essa índice será de 30%",
disse, acrescentando que "o custo de lidar com a obesidade
representa para o Serviço de Saúde britânico
(NHS) milhões de dólares anuais e que essa
soma aumentará ainda mais", acrescentou.
Um porta-voz do grupo Diabetes UK disse que, se os níveis
de obesidade continuarem crescendo, "o número
de mortes por diabetes aumentará fortemente".
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Fonte: 23/08/2006 - 10h26 – Folha
online
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