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Crianças
que estão acima do peso podem desenvolver doenças
que antes eram exclusivas dos adultos, como diabetes.
Uma sobremesa a mais, um lanchinho antes do jantar.
A diversão predileta? Comer. Tem muita criança
com apetite enorme, um prato cheio para os problemas
da obesidade.
Crianças que estão acima do peso podem
desenvolver doenças que antes eram exclusivas
dos adultos, como pressão alta e diabetes,
que aparecem cada vez mais cedo.
O problema está se tornando tão sério
que o Hospital das Clínicas criou um grupo
para tratar de crianças que estão muito
acima do peso. Um problema que precisa ser enfrentado
por toda a família.
O lanche da tarde é apenas uma parte
da mudança.
“No intervalo das refeições,
normalmente, eu como fruta. Antes, comeria salgadinho,
coxinha, essas coisas”, revela Felipe dos Santos,
de 16 anos.
Com uma dieta assim, dá para imaginar que
Felipe era bem diferente. Ele não gostava de
tirar foto de corpo inteiro. “Eu pesava 153
quilos. Comecei a engordar muito e falei para minha
mãe que estava na hora de tomar uma atitude”,
lembra.
Determinado a seguir à risca o tratamento,
ele surpreendeu toda a equipe. Em um ano, perdeu mais
de 50 quilos. “Já fazia judô desde
pequeno, mas comecei a caminhar mais e sair mais para
ver os amigos”, diz o jovem.
Atualmente, 140 crianças e adolescentes obesos
são acompanhados pelos profissionais do Hospital
das Clínicas.
Antes de iniciar o tratamento, crianças e adolescentes
passam por avaliações médicas
e fazem exames clínicos e testes físicos
para saber em qual frequência cardíaca
eles começam a queimar gordura. O programa
inclui ainda acompanhamento de psiquiatras, psicólogos
e nutricionistas. Só assim, é possível
chegar a bons resultados.
Além da equipe no hospital, a coordenadora
do ambulatório diz que há um trabalho
a ser feito dentro de casa.
“Quando a gente vai tratar obesidade infantil,
a gente tem que tratar do mundo onde essa criança
vive. Temos que fazer uma modificação
dos alimentos que os pais estão oferecendo
para essa criança e que eles também
comem. Juntamente com modificação de
estilo de vida desses pais”, explica a coordenadora
do ambulatório Sandra Villares.
“Tivemos que mudar, eu e minha mãe. Mudamos
em tudo, mas foi ótimo. Eu também emagreci”,
conta a funcionária pública Etiene de
Fátima Costa.
É verdade que, de vez em quando, a filha dela,
Fabiane, escorrega na dieta. “Eu estava na casa
de uma amiga e comi umas besteirinhas. Comi pipoca,
beijinho e refrigerante”, confessa.
Mas ela já conseguiu vencer muitas disputas
contra a balança. Fabiane chegou a pesar 114
quilos. Com apenas 12 anos de idade, tinha obesidade
mórbida, diabetes e pressão alta.
“Com 9 anos, comecei a engordar muito. Foi uma
época difícil. Meus pais estavam se
separando. Eu sou muito ansiosa”, diz Fabiane,
de 17 anos.
“A criança obesa é uma criança
que tem uma chance muito grande de em um período
mais curto do que de adulto se tornar obeso e desenvolver
doenças que podem levar à morte, ao
infarto ou a doenças cardiovasculares”,
alerta Sandra Villares.
“Nesses cinco anos, melhorou principalmente
a autoestima. Deixei de ser uma menina muito tímida
que só tinha grupinho de amigos. Eu não
falava com mais ninguém. Hoje, sou mais extrovertida”,
compara Fabiane.
Ao todo, 80% das doenças coronarianas e 90%
dos casos de diabetes tipo 2 poderiam ser evitados
com exercícios e mudanças nos hábitos
alimentares.
Fonte: G1 Globo.com
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