|
Lei barra
coxinha e doces na cantina da escola
Adriana Ferraz
do Agora
Sanduíche natural e suco de frutas no lugar
da combinação coxinha e refrigerante.
O sabor do recreio nas escolas públicas e particulares
vai mudar se o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa,
anteontem, receber o aval do governador José
Serra (PSDB). O texto, da deputada Patrícia
Lima (PR), proíbe as cantinas escolares de
vender alimentos com gordura trans, considerada prejudicial
à saúde.
Lanchonetes são da associação
de pais
A alteração proposta é radical:
tira do cardápio salgados fritos e até
assados e inclui, pelo menos, duas opções
de fruta por dia, além de água de coco,
queijos magros e iogurtes, por exemplo. O risco da
obesidade, diabetes e hipertensão entre crianças
e adolescentes justifica o projeto, segundo defesa
apresentada pela deputada.
"O cardápio inadequado nas escolas pode
repercutir negativamente na saúde dos alunos.
Dessa forma, a limitação de certos produtos
comprovadamente nocivos à saúde é
uma forma de auxiliar as famílias na educação
alimentar de seus filhos e zelar pela sua integridade
ao longo da vida", diz a deputada.
O projeto foi aprovado por unanimidade --as lideranças
dos partidos fizeram acordo e não foi preciso
votação --e segue agora para sanção
do governador, que ainda não se manifestou.
A expectativa, no gabinete da deputada, é positiva.
Patrícia Lima é da base aliada de Serra
que, há dez dias, aprovou outro projeto polêmico
e restritivo: a proibição do cigarro
em áreas fechadas do Estado.
Para a nutricionista Martha Fonseca Paschoa, a ideia
é válida, desde que seja acompanhada
por um programa educacional. "Muita gente troca
fritura por assados igualmente nocivos, como salgados
de massa folhada. A discussão é válida.
Não há motivo para uma criança
consumir gordura dentro da escola, mas é preciso
conscientização da comunidade",
afirma.
A merenda, segundo a especialista, é importante
para o desenvolvimento da criança e também
colabora para seu rendimento escolar. "O lanche
serve para dar energia durante o tempo em que o aluno
fica na escola. Deve ser leve e de fácil digestão",
completa a nutricionista.
Resistência
Apesar de elogiado, o projeto deve enfrentar
resistência. O Sieesp (Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino no Estado de São Paulo) afirma que
o Estado não deve legislar em escolas particulares.
"O governo não tem esse direito até
porque a maioria das escolas privadas já conta
com nutricionistas. Além disso, a proibição
não muda os hábitos, é preciso
educação para isso. A medida é
eleitoreira e não adianta. Na saída
da escola, as barracas vão continuar vendendo
pastel", diz o presidente da entidade, Benjamin
Ribeiro da Silva.
Fonte: Jornal Agora
|